Até a edição passada, a de outubro, do prêt-à-porter, eu não conhecia Alexandre Vauthier, foi através do consultor e amigo Robert Forrest, que tive a oportunidade de ser apresentada ao seu trabalho, e especialmente o da alta costura, que pude conferir agora em Paris.

Confesso que adorei, Vauthier desfilou uma coleção sexy, fluida, cheia de decotes e fendas… . Adorei os vestidos que tinham um balanço suave, com franjas – lindos! Tecidos, leves, cores pastéis, o branco veio imposto, em quase todos os shows. Um dos  destaques ficou por conta das bijouxs – uma parceria com a Swarovski. A moda dele tem a “cara”do Brasil!

Voltando ao início: quando cheguei a apresentação, as portas ainda estavam fechadas por causa do ensaio. Entro na sala de desfile e vou para o meu lugar … logo após, ao meu lado, se senta Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa da Costura, que eu já tinha tido contato no Rio, na época do Ano da França no Brasil. Obviamente que iniciamos um papo super gostoso! Vale dizer que estes desfiles atrasam bem mais que o prêt-à-porter. 

Didier começou a me contar detalhes sobre este mercado: “Falam que a Haute-Couture está em decadência, quando a verdade é totalmente oposta a isto. Ela teve a sua época áurea, por volta de 1900, pois naquela época,  não existia o prêt-à-porter! Hoje , temos uma infinidade de opções, até vestidos de festa elaboradissimos , o que antigamente nos fazia recorrer aos atelier de Alta Costura. Isto criava uma demanda  imensa, porque não havia outra opção.  Tudo, qualquer peça, era feita a mão, até uma camisetra de seda, uma calça para usar no dia-a-dia”. Na epóca, ele me disse também, que um vestido podia custar 1 mil euros, e hoje esta bagatela pode ser até 200 vezes maior.  

Quem não sabe reconhecer uma peça de alta-costura, nao vai dar valor a ela, porque pode encontrar  vestidos com o mesmo “efeito”. Alta Costura é para quem quer algo exclusivo e especial e entende o seu valor”, palavras de Didier. 

Ele também  me confirmou que a maior compradora deste mercado é uma princesa do “middle east” e que nenhuma brasileira é cliente assídua desta moda!

Por fim, perguntei sobre Alaia, queria demais poder ver uma apresentação dele, mas ele só desfila em julho: “Ele tem o modelo perfeito: desfila apenas uma edição e as peças que ele vende são apenas as do desfile”. Conclui Didier.

 

Nas fotos com Didier Grumbach

Momento divertido: com Beth Ditto – figurinha –  que ficava falando “bunda”o tempo todo, depois que soube que eu era brasileira, rsrsrs.

Fotos: Cool Weaving BR / @coolweavingbr

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