Estou nostálgica. Depois que li o livro da querida jornalista Mariza Scalzo, ” Uma Breve História dos Trinta Anos de Moda no Brasil “, fiquei desta forma. Tentando me recordar do passado e do que passei… Não pelo motivo óbvio, que é a MODA em si, mas pelo fato do vestuário ter uma ligação cronológica que me faz lembra dos acontecimentos em minha vida.
Nos anos 70, não tenho nenhuma memória muito importante, a não ser da lembrança de ser colocada para dormir pela minha mãe, e de ser totalmente inapetente por comida. Porem, os anos oitenta foram uma descoberta! Descobri que nasci! Fui embalada pelo som de Oswaldo Montenegro, pela genialidade de Tom Jobim, me inspirei em Dancing Days, descobri o ballet como paixão, chorei por Tancredo Neves, torci por Tetê Espíndola, em” Estava Escrito nas Estrelas…”. Joguei queimado, freqüentei Cabo Frio, usei muito short de nylon herdado do meu irmão, fui a festas de vestido balonê de tafetá rosa clarinho, não usei permanente nos cabelos, graças a Deus! Gostava de ir a discoteca, matinê…Li Cristiane F, escutei Cazuza, via Xuxa, Fiorucci e Company eram tudo! O jeans era colorido e o sapato tinha duas ou três cores.
Já nos 90, também vivi o minimalismo! Descobri-me mulher, de cabelão na cintura. Decidi parar o ballet, entrei de cabeça no jornalismo, vi a Guerra do Golfo ser transmitida ao VIVO, era a Era da Globalização, tudo mudou! Pintei a cara para fazer campanha para o Lula, mas queria mesmo era escandalizar a família, comecei a tomar o meu rumo no mundo da moda, do jornalismo, que logo se tornou um bussiness.
Identidade ? Era tão pouca a opulência, que um jeans com camiseta branca reinava absoluto. Cafona era misturar tecidos, texturas, saias nem pensar! Me apaixonei, casei, amei meu marido.
Agora, nos 2000, me libertei! Sou tudo e um pouco mais. Às vezes dou uma de chique, às vezes de hype, de certinha , de doidinha, mas sem machucar ninguém, e nem a mim mesma , assumo querer me tatuar, afinal, nos anos 2000 tudo é possível sem ser passível de preconceito. Uso jeans, saia curta, longa, mini mini, calça sarouel, skinny, reta, baggy, boca de sino, vestido de couro, cetim , bijouxs, misturo tudo que der vontade. Não faço parte de nenhuma tribo, sou de todas. Vou do samba ao tecno, do salto alto a rasteirinha, da Lapa ao Fasano. Sou moderninha, sou careta. Cuido dos meus filhos, mas me divirto como se fosse adolescente. Amo isto, me sinto livre, de cabeça e pensamento. E o melhor disto tudo: também libertei todos do meu julgamento.
Tenho Facebook, dois Blogs, Twitter… Falo o que penso, sou dona das minhas palavras. Mas em compensação o blackberry me escravizou.
Vi a moda brasileira fazer sucesso no exterior, estou vendo-a se profissionalizar, sou testemunha da formação dos comglomerados brasileiros, da Era do consumo, dos serviços. Vejo o Brasil crescer, tenho muito orgulho!
Que 2010 seja maravilhoso! Só posso desejar tudo de melhor na vida para todos vocês! Obrigada por me acompanhar, escrevo pensando que posso passar o que tenho de melhor para vocês!
Obrigada mais uma vez…